Seis dias após completar 60 anos de idade, morre em São Paulo, Ricardo Corrêa da Silva, o ”Fofão da Augusta”. Mascido em Araraquara foi em São Paulo em busca de novas oportunidades. Foi cabeleireiro e maquiador de muitas atrizes famosas, e por razões que o destino desconhece, virou andarilho. Sua história ganhou as redes sociais, através de uma matéria feita pelo jornalista Chico Felitti, para o BuzzFeddNews.

Fofão da Augusta é o apelido que ganhou graças a sua aparência. Muitas intervenções cirúrgicas e silicone fizeram seu rosto ficar deformado. De bochechas grandes e caídas, ele lembra o personagem famoso que por décadas fez parte do nosso universo infantil. A pintura carregada no rosto também ajudou no apelido.

Ricardo ficou conhecido pelas pessoas que circulava diariamente pela Rua Augusta, que ganhou fama pela boates e casas de espetáculos. Foi ali que por anos ele pediu dinheiro nas esquistas.

Fofão da Augusta é homossexual e dono de uma história de vida única. Em tempos de preconceito, a sua história emocionou e cortou o coração de quem leu a reportagem. O choro foi inevitável, o nó na garganta doía de tanto soluçar. Foi assim que terminei debruçado no teclado do computador quando terminei de ler sua história.

A história

No começo deste ano, Ricardo foi internado no Hospital das Clínicas como desconhecido. Teve que amputar um dedo da mão, que apodreceu após uma ferida malcuidada. E foi no Hospital que começou a saga do jornalista repórter Chico Felitti, que já tinha visto Fofão nas ruas várias vezes e sempre teve vontade de escrever sobre a sua vida. Ficou sabendo por uma amiga de rede social que ele estava internado e a partir daí, mergulhou no universo do cabeleireiro que se tornou uma figura conhecida das ruas de São Paulo, mas que pouca gente sabe quem realmente é.

No dia da sua morte, Fofão da Augusta, ou melhor Ricardo Côrrea da Silva, virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

Na tarde do dia 15 de dezembro, sexta-feira, Ricardo Corrêa da Silva sofreu uma parada cardíaca, seis dias após completar 60 anos. Os médicos não conseguiram reanimá-lo, e uma necrópsia será feita para tentar apontar a causa exata da morte.

Seu corpo deve ser cremado e depositado junto às cinzas dos seus pais, em Araraquara. O hospital não tinha nenhum documento de identificação de Ricardo, mas toda equipe sabia o seu nome, pelo qual foi chamado até o fim.

A sensibilidade do jornalista em escrever e relatar cada detalhe da sua história, é uma aula de jornalismo humano. As redes sociais conheceram o ”Fofão da Augusta” e torcia pela sua recuperação que infelizmente não ocorreu. Sua vida deve ser contada em livro em breve e jamais esquecida. Descanse em paz, Ricardo Côrrea da Silva.

Você pode conferir o relato do jornalista no Facebook, clicando no link.

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Guilherme Beraldo
Jornalista, crítico de TV e ator. Já participei dos seguintes programas: A Tarde é Sua e Manhã Maior na RedeTV, na Gazeta do "Mulheres", Versátil e Atual e Conexão com Zé Américo na CNT. Apaixonado por programas de auditório e musicais.