Opinião: Neymar recebe R$ 1 milhão por propaganda em troca de milhões de críticas bem fundamentadas

“Nada é tão ruim que não possa piorar”. “Dinheiro não é tudo na vida”. Certamente estas são frases que você, internauta, já leu e ouviu no dia a dia. A surpreendente propaganda da Gillette nomeada de “Um Homem Todo Dia”, veiculada em rede nacional no Fantástico de ontem (30), espantou o público que assistia o dominical da Globo.

Com aproximados 1min e 23 de segundos de duração, tempo ‘pra chuchu’ na publicidade televisiva, frases como “Você pode achar que eu exagero e, às vezes, eu exagero mesmo”, “Eu sofro dentro de campo”, “Você não imagina o que eu passo fora dele”, “Eu não aprendi a te decepcionar”, “Quando eu pareço malcriado não é porque eu sou um moleque malcriado”, “… ainda não aprendi a me frustar”, “Dentro de mim ainda existe um menino” e “Você pode achar que eu caí demais” desenterram o assunto que já caminhava para sua última pá de cal.

Afinal, há exatos quinze dias do fim do mundial, o futebol vem tomando sua vidinha. Aliás, a expectativa de nós, brasileiros, era que Neymar pudesse responder em campo todas as justas críticas recebidas – verdade, em alguns momentos exageradas.

E não faltaram oportunidades para que o craque soltasse o verbo. Diversas emissoras de TV, sites, revistas, colunistas e o que mais se esperasse de mídia abriram espaço para que Neymar soltasse o verbo e desse respostas condizentes  sobre o comportamento mostrado durante toda a Copa do Mundo.

Silêncio e meias palavras durante um evento em SP, na semana passada, fracassaram a tentativa do grande público em elucidar o caso.

Eis que, repentinamente, à base do midiático  – fator esse que sempre rende muitos questionamentos a Neymar – vem uma resposta sem nenhum teor sincero. Um texto produzido em tom publicitário pioraram ainda mais o cenário.

Ou será que alguém do staff do jogador pensa que as “Eu demorei a aceitar suas críticas” e “Eu demorei a me olhar no espelho e me transformar em um novo homem” convenceram?

O valor de R$ 1 milhão pago pela Gillette é irrisório para a empresa e para as extensas cifras situadas na conta de Neymar. Entretanto, as milhões de mensagens criticando, tanto da imprensa quanto da opinião pública, sacramentam a derrocada que foi transformar uma situação lamentável.

O vídeo não alcançou sequer 700 mil visualizações no Youtube, número bem abaixo do engajamento que a marca do jogador representa. No placar de ‘likes’: 18 mil curtiram ante 25 mil, que desaprovaram. Os comentários, em maioria, também são negativos.

Neymar e sua assessoria, se é que ela existe, assinaram um papel em branco onde as marcas daqui para frente mostram a falta de administração de carreira, de autocrítica e a mais tenebrosa de todas: transformar um erro em um show pirotécnico desnecessário com enredo fechado: “Gestão de Crise? Não temos”.

Eduardo Moura
Eduardo Moura é jornalista, correspondente do Rio de Janeiro, e autor do blog AudienciaCarioca. Já atuou no portal Rede Contínua e nas rádios Absoluta e Continental. E-mail: audienciacarioca@gmail.com